O empreendedorismo feminino vive um momento de expansão consistente no Brasil e começa a ocupar, com mais protagonismo, setores antes dominados por homens ou pouco explorados por mulheres. Um deles é o varejo autônomo, especialmente o mercado de vending machines, que cresce impulsionado por tecnologia, novos hábitos de consumo e pela busca por modelos de negócio mais enxutos.
Hoje, mais de 10 milhões de mulheres estão à frente de negócios no país. Parte desse movimento é motivada por uma mudança estrutural no mercado de trabalho. Segundo a Rede Mulher Empreendedora (RME), cerca de 77% das mulheres empreendem após a maternidade, evidenciando um cenário em que a flexibilidade deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade.
Com isso, modelos como o de máquinas automáticas - que operam 24 horas por dia, com baixa necessidade de mão de obra e gestão remota - surgem como alternativa estratégica para quem busca autonomia financeira sem abrir mão da qualidade de vida.
Varejo autônomo: crescimento e oportunidade
O avanço das vending machines no Brasil acompanha uma tendência global de automatização do consumo. Em ambientes corporativos, hospitais, condomínios, academias e espaços públicos, essas máquinas têm ganhado espaço ao oferecer conveniência, autoatendimento e operação contínua.
Para mulheres empreendedoras, o modelo apresenta vantagens claras como investimento inicial acessível, operação simplificada, possibilidade de renda passiva e escalabilidade. Além disso, permite conciliar múltiplas atividades, seja a gestão de outros negócios, carreira paralela ou rotina familiar.
Dentro desse cenário, cresce também a presença feminina em redes especializadas como o Grupo Avend (maior empresa nacional especializada na comercialização, manutenção e controle de máquinas de vendas automáticas), que já observa aumento no número de franqueadas nos últimos anos. Dos 133 franqueados da rede, 31,25% são administrados por mulheres.
Guilherme Álvares, fundador e CEO do Grupo Avend, analisa que a busca por independência financeira, aliada ao desejo de construir algo próprio, tem levado cada vez mais mulheres a apostar no setor.
Flexibilidade como motor de decisão
Diferentemente do varejo tradicional, que exige ponto físico, equipe e presença constante, o varejo autônomo opera com lógica inversa, com menos estrutura fixa e mais inteligência operacional.
A gestão pode ser feita de forma remota, com reposição estratégica e acompanhamento digital de vendas. Isso reduz custos e amplia a previsibilidade do negócio que são fatores decisivos para quem está começando ou deseja diversificar fontes de renda.
Além disso, o modelo elimina um dos principais gargalos do empreendedorismo no Brasil que é a dependência de mão de obra. Em um cenário de dificuldade de contratação e alta rotatividade, negócios autônomos ganham ainda mais relevância.
Ela apostou em diversificação e autonomia
Empresária e já com experiência prévia no empreendedorismo, Sueli Gomes da Silva viu no varejo autônomo uma oportunidade de diversificar sua atuação com mais liberdade operacional. Após anos no mercado corporativo e à frente de um negócio que depende intensamente de equipe, ela buscava um modelo que não exigisse gestão constante de pessoas. Foi nesse momento que conheceu o segmento de vending machines e decidiu investir com uma máquina do Grupo Avend.
Com operação em funcionamento em Praia Grande/SP desde março, a decisão reflete um movimento comum entre mulheres empreendedoras: a busca por negócios mais flexíveis, escaláveis e menos dependentes de estrutura tradicional.
Para Sueli, o diferencial desse tipo de negócio está na autonomia. O modelo permite atuar em múltiplas frentes, sem estar presa a um único ponto físico, além de oferecer potencial de crescimento com operação simplificada.
Movimento que vai além do negócio
O crescimento feminino no varejo autônomo não é apenas uma tendência de mercado, mas também um reflexo de mudanças sociais mais amplas. Mulheres têm buscado empreender não só por oportunidade, mas por necessidade, seja pela busca de flexibilidade, pela dificuldade de reinserção no mercado formal ou pela vontade de construir independência financeira.
Álvares pontua que características frequentemente associadas à gestão feminina, como resiliência, organização, visão de longo prazo e capacidade de adaptação, têm se mostrado diferenciais competitivos nesse tipo de operação.
Ao mesmo tempo, desafios persistem como acesso a crédito, validação no mercado e sobrecarga de funções ainda fazem parte da realidade de muitas empreendedoras. Ainda assim, o avanço é consistente.
O futuro do empreendedorismo feminino no setor
Com a consolidação do varejo autônomo no Brasil e a expansão de redes estruturadas, a tendência é que a presença feminina continue crescendo no segmento. Modelos de negócio mais acessíveis, suporte de franquias e o avanço da tecnologia devem acelerar esse movimento, tornando o setor ainda mais atrativo para mulheres que desejam empreender com mais controle sobre seu tempo e suas decisões.
"No fim, o que está em jogo não é apenas a entrada em um novo mercado, mas a construção de uma nova lógica de trabalho, onde autonomia, flexibilidade e propósito caminham juntos", finaliza o CEO do Grupo Avend.
Sobre a Avend
O Grupo Avend, já é a maior empresa nacional especializada na comercialização, manutenção e controle de máquinas de vendas automáticas, surgiu em 2015, com uma operação própria em São José do Rio Preto. Em 2025, começou sua expansão por meio do franchising e desde então soma com 113 máquinas próprias e 133 franqueadas, com o modelo Home Based, onde o franqueado consegue gerir seu negócio trabalhando de qualquer lugar. Com investimento inicial a partir de R$ 55 mil, a rede possui um faturamento médio mensal de 7 a 10% sobre o valor inicial investido, e um prazo de retorno de 10 a 16 meses.