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O líder no "novo normal": como fazer a diferença depois da pandemia

O mundo está cada vez mais digital e dinâmico. Luís Gustavo Lima, da empresa de inovação ACE, mostra como deverão ser os donos de empresa do futuro

O mundo corporativo ganhou mais agilidade nos últimos três meses do que nos últimos anos. Sua empresa provavelmente está correndo para praticar a transformação digital. Mas você não deve perder a cabeça pensando em qual tecnologia vai usar. Preocupe-se mais com as pessoas que estão ao seu lado.

A reflexão é de Luís Gustavo Lima, sócio da empresa de inovação ACE. A ACE tem uma vertical de inovação no mundo corporativo e atendeu dezenas de empresas e seus CEOs.

Transformação digital e pandemia
Lima começou sua conversa com PEGN (e uma postagem no blog da ACE) afirmando que os donos de empresas foram moldados a um modelo de administração de cima para baixo, ou top down.

Aí entram as avaliações de desempenho anuais, o planejamento para cinco e dez anos, o microgerenciamento e as noções de controle e comando. A mistura de cobranças constantes, diversas responsabilidades, altos salários e prestígio causaram a blindagem emocional diante da equipe. O dono deveria ter resposta para tudo, e convicção no que está falando.

Mas o software comeu o mundo, como escreveu o capitalista de risco Marc Andreessen em 2011. As maiores empresas do mundo em valor de mercado são de tecnologia, entrando em cada vez mais setores da nossa vida. Vivemos uma época de automação, inteligência artificial, transações sem contato, novos hábitos de consumo e novos modelos de negócio.

Às vezes, nem mesmo os supostos melhores executivos sabem navegar em um ambiente que se tornou muito mais digital e dinâmico. "O novo contexto de mundo trouxe com ele um novo olhar para tudo. Para o desespero de muitos, não sabemos mais de onde vem a concorrência", detalhou Lima a PEGN. "Novos tempos exigem novos comportamentos, competências e habilidades."

Logo a transformação digital apareceu como solução — e muitos donos de negócio ficaram só na teoria e em aproximações superficiais com startups. A pesquisa ACE Innovation Survey (2019) mostrou que apenas 25% das empresas possui um design organizacional que favorece a inovação e só 30% trabalham com métodos ágeis. Mas 70% delas estão sofrendo algum tipo de disrupção em seus mercados.

A pandemia acelerou o sentimento de "perder a corrida". Os investimentos em transformação digital, trabalho ágil e estratégias reais de inovação aumentaram. Grandes corporações colocaram seus funcionários para trabalhar de casa sem muita preparação, e acabou dando certo. É hora de os líderes também se transformarem para a realidade que virá após a pandemia.

Como ser um líder no "novo normal"?
A sensação de estar por fora das tendências é constante entre líderes e até entre suas equipes. O sentimento é conhecido em inglês como Fear of Missing Out, ou FOMO. A experiência de Lima, que foi desde a empresa de cosméticos Natura até a participação na ACE, resultou na tese "Liderança para a Era Digital: 12 atribuições do novo manual do líder". Essas atribuições são:

1 — Humildade intelectual
2 — Obsessão pelo cliente
3 — Inovação baseada em problema
4 — Cultura de experimentação
5 — Mentalidade de empreendedor
6 — Visão holística
7 — Tecnologia como meio
8 — Novos modelos de negócios
9 — Transformação e adesão digital
10 — Times ágeis
11 — Multidisciplinaridade
12 — Comunidade

"Seguiremos em frente na condição de aprendizes, descobrindo e se adaptando ao novo normal. Com humildade, disciplina, coragem e entendimento de que o erro faz parte do processo de inovação e de que a vulnerabilidade é, na verdade, autenticidade e potência", escreveu Lima.

Algumas atitudes que você pode praticar a partir de agora: menos ego e mais dados na hora de tomar decisões. Saia da preocupação do produto para a preocupação com o cliente, seus problemas e sua experiência encantadora em qualquer ponto de contato com seu negócio.

Cuide de verdade da sua equipe, gerando abertura para diálogo, desenvolvimento e segurança psicológica. Viabilize novas formas de trabalhar, o que vai de experimentos e metodologias ágeis a diversidade e multidisciplinaridade. Equilibre investimentos na atividade principal do negócio com o incentivo às novas oportunidades e modelos de negócio.

Não citamos nenhuma tecnologia específica por um motivo: ela é um meio, não um fim. A transformação digital acontece principalmente pelas pessoas, segundo Lima. "Toda a empresa deve ser de tecnologia, todas as áreas devem ser de inovação. Isso é cultura digital", detalhou Lima a PEGN. "Gosto sempre de dizer que só é possível transformar digitalmente por meio da transformação cultural. Na prática, para transformar é preciso utilizar a tecnologia como facilitadora. Mudar a forma que a empresa e suas áreas atuam, redesenhar os processos e a governança de forma a reduzir burocracias, ensinar as pessoas a trabalharem de forma mais moderna e ágil, reorganizar os times e capacitá-los."

Por fim, tenha seu propósito claro e baseado em dados. Assim, você ganhará confiança para liderar todas essas mudanças com paixão e integração de toda a empresa. Estabeleça esta meta: sua inteligência intelectual deve evoluir para uma inteligência emocional e, depois, para uma inteligência espiritual. A inteligência emocional nos ajude a refletir sobre nossas relações interpessoais e nossa própria autogestão das emoções. Já a inteligência espiritual nos convida a um autoconhecimento mais profundo sobre nossos ideais. Ela traz equilíbrio e saúde mental para lidar com adversidades incertezas -- como a atual pandemia.

"Precisamos de líderes conscientes, aprendizes, inspiradores e corajosos para promover as mudanças que são necessárias. O novo normal já é uma realidade e o melhor momento para começar é hoje", resumiu o sócio da ACE.

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